. . . . . . . A T R A V E S S A N D O . . . . . . . . . . . . um blog dos irmãos rocha

28 Abril 2009

A autocensura da música

Que País É Esse, LP de Legião Urbana onde está Faroeste Caboclo.

Que País É Esse, LP de Legião Urbana onde está Faroeste Caboclo.

IRMÃO ROCHA #1

Gostava bastante de músicas longas no século passado. Ouvir músicas com mais de 10 minutos, como a clássica Stairway to Heaven do Led Zeppelin era comum até nas rádios, que tocavam sem constrangimento Faroeste Caboclo, do Legião Urbana, na programação de fim de tarde.

Hoje em dia pouquíssimos canais no dial ou na net estão dispostos a explorar clássicos ou até músicas novas de 10, 13, 16 minutos ou mais. O que aconteceu? Músicos, compositores e intérpretes perderam o fôlego? Eu acredito numa mudança da preferência.

O ouvinte é que mudou. Deixou a virtuosidade dos longos solos ou músicas de letras gigantes para curtir num show ao vivo, dando preferência no dia-a-dia às músicas um tanto mais curtas. Veja você mesmo: abra suas músicas no computer ou no tocador e cheque qual a média de tempo de todas elas.

Nesse momento em que escrevo tenho 60 músicas no meu tocador e apenas uma quase chega a 8 minutos (Mônica Millet & Momile Feat. Gilberto Gil & Marisa Monte – Life Goods a 7h54min). Tem mais uma de quase oito e duas de sete minutos. A grande maioria é de sons com 4 minutos. Agora mesmo ouço Deixa Eu Dizer, de Cláudia, de 2:48.

É esse tamanho de música que procuro escutar mais, não importa o gênero. Quer dizer que em menos de uma década minha playlist sofreu um corte de pelo menos seis minutos entre os sons mais curtos e longos que ouço hoje.

Provavelmente muitas pessoas que ouvem muita música todos os dias perceberam esse fenômeno. As músicas mais tocadas têm que se enquadrar ao padrão das rádios e o gosto do ouvinte vai constantemente se moldando.

E os artistas, claro, vão adequando sua obra à preferência nacional.

Talvez na próxima década nossos ouvidos vão aceitar somente músicas com 1 minuto. E aposto que cada vez mais o botão do next music será acionado. Paciência pra ouvir um solo de 15 minutos pra quê, não é mesmo?

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ATRAVESSADA IRMÃO ROCHA #2

Eu acredito que a maioria das rádios, antigamente, também não gostava de tocar música de muitos minutos, coisa de 10, 15. Só consigo mesmo lembrar, das nacionais, de Eduardo e Mônica, que nem é tão longa assim, e de Faroeste Caboclo, ambas do Legião. Curioso é que Faroeste Caboclo na verdade é anterior a Eduardo e Mônica, e acho que as rádios de então só toparam para ter mais um hit da Legião, que na época era A banda, nas paradas. Uma espécie de exceção.

(Aproveito para contar uma pequena e estúpida passagem da minha vida: até hoje eu sei Faroeste Caboclo inteira, de cor, do começo ao fim. Porque eu era bem moleque nessa época, e achava a escola, quase todas as aulas, um saco. Então eu descobri que Faroeste tinha 10 minutos, e as minhas aulas duravam 50 minutos. Então eu pensei um dia: pô, é só cantar mentalmente Faroeste Caboclo cinco vezes e cabou a aula. Assim, durante mais de um ano, eu cantei mentalmente Faroeste Caboclo inteirinha umas vinte vezes por dia.)

O curioso é que essa espécie de padronização das músicas em 3 a 4 minutos vem da época do vinil e das fitas K7: músicas grandes eram ruins, porque ocupavam muito espaço no bolachão e no K7, que tinham tamanho, em minutos, bem limitado. Uma música grande tomava o espaço de três ou quatro ‘normais’, e isso comercialmente era ruim. Quando veio o CD essa limitação acabou, pois cabe coisa pacas em um CD, muito mais do que o artista pode gravar, mas mesmo assim a padronização continuou.

Acho que os poucos a quebrar essa regra são os artistas de rap e hip hop, que gravam músicas bem mais longas do que 3 a 4 minutos, ainda que alguns estadunidenses como o Snoop Doggy Dogg já estejam bem encaixadinhos nesse formato: ajuda os clipes para a TV, também. Clipe de 10 ou mais minutos é foda para a emissora.

Talvez agora, com iPods quase ilimitados de múltiplos gigas quase impossíveis de preencher totalmente, os artistas se sintam mais à vontade para estabelecerem novos parâmetros para a duração de suas músicas, seja 1 minuto ou 30 minutos. E viva o MP3!

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25 Abril 2009

Jornalista, a profissão sem futuro

Arquivado em: Credibilidade, Jornalismo, Jornalista, Mídia, TV, Vida Urbana — irmaosrocha @ 10148 pm
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IRMÃO ROCHA #1

Creio que uma das profissões mais sem futuro que existem hoje no mundo é jornalista. E falo isso com toda honestidade do mundo, e sem nenhum rancor ou algo do gênero por esta categoria profissional: sou jornalista.

Antes de explicar o porquê um adendo, importante já nesta altura: o que acho que não tem futuro é o jornalista, não o jornalismo. São duas coisas bem diferentes, ainda que aparentemente entrelaçadas.

Jornalista não tem futuro pois 1) é uma das profissões que mais deveria adaptar-se aos novos tempos, às novas tecnologias 2) não o fez pois jornalista, em sua extrema maioria, se acha gente muito importante, inatingível, sem necessidade de abrir os olhos e ver o que acontece no mundo ao seu redor 3) é uma profissão que perdeu-se em seu próprio universo, em sua própria pequeneza e 4) não existe mais aquele jornalista, digamos, de verdade: aquele que realmente vai atrás de uma notícia – hoje jornalista só espera que a notícia lhe seja entregue.

Jornalista, por essência, deveria ser aquele que transmite informação. Seja repórter, editor, rádio-(ou web-)escuta etc, não importa. Mas o jornalista acha que isso é exclusividade sua – e não é mais. E o jornalista de hoje acha que ele é aquele que trabalha para o jornal, para a revista, para a TV. E aí é que se perdeu: deu mais importância ao veículo do que à sua própria profissão. E agora já é tarde demais para voltar atrás.

Pois hoje não precisamos mais dos jornais, das TVs, do rádio para nos informar. Temos a Internet. Temos blogs, twitter, orkut, o escambau. Ah, mas blogs e afins não tem nenhuma credibilidade!!, dirão alguns. É verdade. E por acaso jornais TVs e revistas a têm? Então eles não defendem seus interesses, não puxam a sardinha para quem e para onde querem? Você realmente acredita que o que está publicado em jornais e revistas, ou o que aparece na TV, é verdade verdadeira verdade nada além da verdade? Não seria a verdade… deles? Nunca, jamais, você leu uma matéria sobre assunto que dominava e viu que coisas ali publicadas estavam erradas ou, ao menos, distorcidas? Neste ponto os blogs e afins tem até mais credibilidade: como na maioria são pequenos, e pessoais, pouco interesse têm em manipular dados e informações.

Jornalista não tem futuro por isso: não precisamos mais de jornalistas para nos informar. Nos informamos onde queremos, onde como quando queremos. Na verdade a profissão de jornalista tem futuro até demais, pois em breve cada um de nós será um jornalista: teremos algo a dizer, algo que alguém quer escutar, saber. Por isso o jornalista dito profissional não tem futuro. Ninguém precisará mais dele.

E não existe mais o jornalista que realmente deu a essência e espírito do que achamos que é o jornalismo hoje, aquele cara que ia atrás da notícia, que a criava, que a descobria, meio James Bond meio Hobin Hood. Jornalista hoje é o bundão que recebe press release por e-mail, corta e cola e publica. E é isso aí. E não adianta querer ser o herói da redação, relembrar os tempos antigos e áureos do jornalismo pois isso simplesmente não existe mais. Não há espaço para isso nas redações de hoje.

Então, em breve, e a coisa já está meio neste caminho, jornais TVs e revistas publicarão apenas as versões oficiais e oficiosas de empresas, parlamentos, entidades etc sobre determinada notícia. E as pessoas se encherão o saco definitivamente de lê-los; eles, numa atitude desesperada, partirão para o que chamam de, ohhh, visão analítica: analisarão as notícias, mesmo porquê nada mais restará ao jornal de hoje, cujas notícias já se sabe desde ontem pela Internet. Eles pensarão que este é o caminho da salvação, mas será o pulo no penhasco. Pois os leitores rapidamente se encherão o saco de ler as análises e opiniões retrógradas, moralistas, radicais ou tendenciosas da maioria dos jornalistas, e os mandarão definitivamente à merda. E passarão a consumir seu próprio jornalismo, o que lhes interessa, e a praticar seu próprio jornalismo.

Enquanto isso acontece, hoje os jornalistas fazem o quê? Ficam perdendo tempo em uma discussão estúpida, infantil e infundada, mas sacramentada justamente em seu próprio umbigo jornalístico: jornalista deve possuir diploma ou não? Não vêem, os jornalistas, que esta discussão foi atropelada pelo trem da história há muito tempo. É absolutamente inútil. Deveriam discutir, isso sim, se jornalista deve continuar a existir, qual o seu papel de fato na sociedade, o que produz de útil. Mas não.

Outro dia a Revista Imprensa, a qual até então respeitava, e muito, trouxe grande manchete na capa: Blogueiro não é Jornalista. Tentativa mais do que desesperada de manter os privilégios e posição social – e jabás – da dita categoria. Mas por incrível que possa parecer concordei 100% com a manchete: de fato, confirmo e sacramento, blogueiro não é jornalista. O que a revista deixou de perceber, e publicar, é que este é justamente o grande azar do jornalista.

jornalismo

ATRAVESSADA IRMÃO ROCHA #2

A principal ferramenta do jornalista é a credibilidade. E o Irmão Rocha, como sempre, já esvaziou os argumentos sobre o processo de deterioração do jornalismo e dos jornalistas.

Por isso é verdade que qualquer um pode exercer o papel (ou profissão, como queiram) de comunicador nos dias de hoje.

A matéria-prima é, como disse, informar com credibilidade. Não estranha, portanto, a migração de jornalistas “das antigas” para blogs, onde têm a liberdade de escrever quanto e o que quiserem sem a obrigação de seguir padrões e linhas editoriais da “grande imprensa”.

Essa é a tendência e quem (qualquer um, não necessariamente jornalistas) se agarrar na credibilidade como ferramenta de trabalho terá certamente leitores, ouvintes e telespectadores.

Por outro lado é cada vez maior o número de jornalistas que se enquadram no estereotipo descrito pelo Irmão Rocha. Redações inteiras usam a técnica copia&cola pra informar o pobre do leitor.

Outro dia ouvi um absurdo de uma jornalista, editora de um dos principais veículos de comunicação do Brasil, que resume muito bem a atual situação do jornalismo.

Questionando sobre a falta de informação básica em seu texto, que sugeria uma interpretação errônea da notícia veio a pérola: “Desculpe, se há uma interpretação errada da notícia a culpa não é minha. Não tenho nada a ver se o leitor interpreta errado meu texto”.

Detalhe (ou pormenor): obviamente ela copiou a notícia de um grande jornal do exterior sem se preocupar em checar se a informação valia para o espaço que ocupa (quer dizer, o País onde escreve, o Brasil). Ah, também publicou uma foto errada de um produto na mesma notícia e se defendeu: “A foto é meramente ilustrativa”.

Ou seja, o jornalismo feito com credibilidade, cuja missão é informar e educar a sociedade está acabando. Em vez disso teremos corporações ditando o tom das notícias, torcendo a informação ao sabor de seus interesses. E os jornalistas, cada vez mais desarticulados e despreparados vão dançar essa música em troca de salários vergonhosos.

Realmente, a profissão de jornalista não tem futuro. E a culpa é de todos nós.

25 Março 2009

A Rede Globo e o Atravessando

Arquivado em: Credibilidade, Mídia, TV, Vida Urbana — irmaosrocha @ 90930 pm
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globo1

IRMÃO ROCHA #1

A toda poderosa Rede Globo, dona de diversos sites, jornais, rádios e claro, a maior rede de TV do Brasil, leva, e muito, em consideração o que é escrito nesse blog. Com um plantel estelar de jornalistas, colunistas, diretores renomados, especialistas em comunicação e que tais, são os Irmãos Rocha que, pasmem, direcionam algumas decisões da Rede do plim-plim.

Não caro, blogueiro, blogado, não somos pretensiosos. Nos apoiamos em fatos ocorridos nos últimos tempos, sempre após alguns de nosso posts irem “ao ar”.

O que dizer, por exemplo, da enxurrada de coments pedindo o telefone do Jô. Vale a pena dar uma navegada pelos coments. A maioria quer ligar para fazer parte da platéia. Mas tivemos solicitações diversas, como da Ângela Cardoso, que precisa falar com a mãe do Derico, a Dona Mercedes, e nos procurou, provavelmente frustrada por não obter esse contato pelos canais oficiais da Globo. Ângela, infelizmente até o momento não conseguimos o telefone da Dona Mercedes.

Mas a própria Globo, olha só, nos enviou um comentário. Reproduzo abaixo para aqueles que até agora não conseguiram ligar pra produção do Jô.

Para fazer parte da platéia de qualquer programa de auditório da Rede Globo de Televisão

entre em contato através dos formulários presentes no site dos próprios programas ou
através dos números da CAT – Central de Atendimento ao Telespectador.

SÃO PAULO – (11) 3131-2500
RIO DE JANEIRO – (21) 3112-3500 ou (21) 2461-1500
RECIFE – (81) 3112-3500
BRASÍLIA – (61) 3241-2500
BELO HORIZONTE – (31) 3112-3500

Curioso, caro leitor, que esse coment chegou até nós às 21h do dia 13 de outubro. 21 horas? Isso quer dizer alguma coisa. Em esforço de reportagem descobrimos que manifestações da poderosa rede de TV em meios de comunicação como o nosso são tomadas após minuciosas análises, o que geralmente leva um dia inteiro. Opa, eles passaram todo esse tempo avaliando nosso blog? Parece que sim.

O que dizer então do que ocorreu com a transmissão do futebol na Globo no início do ano. Onde estava o Galvão? De férias? Que emprego bom, né? O cara tira três meses de férias justamente após uma atravessada declarando o nosso ódio e o de milhares de espectadores.

Mais que isso, o Cleber Machado, declaradamente inimigo deste blog por piorar o estilo Galvão com seus comentários nada a ver, gorando vááários times de SP, foi narrar o campeonato carioca. Em seu lugar no início do Paulistão veio o Luis Roberto, que elogiamos no mesmo post. Coincidência? Ou mais uma vez nossas preces foram “lidas” pelo pessoal do plim-plim?

Agora ele, o mala-Machado voltou para atormentar a transmissão do futebol paulista com seus comentários (quando deveria narrar o jogo) no melhor estilo filho-único-mimado-pela-mãe. Saca esse tipo? Quer ocupar o espaço com sua fala e só sai merda. E merda sem consistência. Pelo amor de Deus Globo, olha o que vocês estão fazendo com os nervos do telespectador. Desse jeito o jurássico Luciano do Valle vai ganhar a audiência….

A novela a Favorita também sofreu transformações depois que divulgamos o final de diversos personagens semanas antes do capítulo derradeiro. Acertamos em alguns, mas muitas cenas provavelmente foram regravadas, em mais uma prova de que os muitos acessos ao nosso blog partem de terminais ligados a partir do Jardim Botânico, no Rio, ou do imponente prédio na Berrini, em Sampa.

Quero finalizar dizendo que depois dos 21 coments sobre os post dedicados à Globo e das mudanças promovidas pela Rede dos Marinho após nossas intervenções pretendemos cobrar pela consultoria. Tá avisado: vamos mandar a nota cobrando depois, ok pessoal da Globo?

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ATRAVESSADA IRMÃO ROCHA #2

 

O Irmão Rocha não está louco não, é verdade. Tudo o que falamos da Globo aqui no Atravessando a Globo escuta. A Globo sabe. Se eles estão agindo apenas baseados no que escrevemos aqui não sei, mas que parece parece. Nós falamos mal do Cléber Machado, mandaram ele para o Rio. Paramos de falar mal do Cléber Machado, mandaram ele de volta. Nós falamos do cabelo loiro do Dodi, de A Favorita, e repintaram nos capítulos ainda a gravar. É assim mesmo.

Repetindo meu brother Rocha: não, não é pretensão. É fato. E vou explicar por que: a Globo está desesperada com esse negócio de Internet. Pois a Globo vende o que? Informação e entretenimento via TV. É só o que eles sabem fazer – vide os sites da Globo e G1, que só tem grandes acessos para… vídeos de coisas que passaram na TV Globo.

E a Globo, que, convenhamos, não é nenhuma amadora, sabe que ela está fudida, que a sua sobrevivência está ameaçada porque as pessoas estão buscando mais e mais informações e entretenimento na Internet. Os jovens vêem muito menos TV hoje do que viam na geração passada. E a Globo não sabe o que fazer. Prova cabal: Malu Magalhães no Faustão. Aposto com quem quiser que um diretor do Faustão disse: “Vamos chamar essa menina, mesmo ela sendo uma patza. Ela é um fenômeno da Internet. É uma forma de chamarmos essa audiência da Internet para o Faustão, chamar a nova geração para o programa.” Tsk, tsk. Pobres. Estão tão desesperados que não sabem o que fazer.

Então eles fazem o quê? Simples: a Globo é uma das empresas que mais monitora blogs e sites de relacionamento. Tenha certeza: qualquer coisa escrita em qualquer blog sobre a Globo chega na Globo. Na verdade os Irmãos Rocha não tem poder sobre a Globo, mas a Globo presta atenção no que os Rocha falam no Atravessando. E o comentário da própria Globo é a prova disso.

Por isso sugiro: se você tem um blog, fale sobre a Globo. Se você costuma deixar comentários em blogs, deixe um sobre a Globo. Eles lerão. Eu garanto.

Assim, faço minha parte: Galvão, aposente-se (esse foi só para engrossar o coro, nem tem mais graça). Cléber Machado: saia da escola Galvão, ou se aposente junto (ah, e nós sabemos que você é santista). Luís Roberto, você manda bem. Mais, agora em outra área: o que é uma novela passada na Índia onde todo mundo, inclusive os indianos, falam… português? O que é aquele Zorra Total, Deus? E Toma lá dá cá? Curso de formação de amadores? Por que a Globo compra direitos de transmissão de eventos esportivos para não transmiti-los? Por que contrata artistas da concorrência e deixa-os na geladeira?

Acorda, Globo. Nós estamos no Século 21. Os métodos do Século 20 não funcionam mais.

25 Fevereiro 2009

Agora fazemos o que com nosso ódio?

Arquivado em: Mundo, Política — irmaosrocha @ 60602 pm
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IRMÃO ROCHA #1

A eleição e posse de Barack Obama como novo presidente dos Estados Unidos causou um enorme problema para nós, brasileiros, e para a gigantesca maioria dos povos do mundo, exceto os americanos ou estadunidenses, como queira: o que a gente faz, agora, com nosso ódio pelos americanos?

Na época dos Bush – tanto papai quanto filhinho – era uma moleza. Podíamos xingar, massacrar, tirar sarro dos americanos à vontade. Povo filho da puta que só pensa em guerra! Povo filho da puta que só come no McDonald´s e espalha as maldades do capitalismo pelo mundo afora!! Povo preconceituoso filho da puta que só pensa em petróleo, em poluir o planeta!!! Que os americanos se fodam, eles merecem!!!!

Aí vem este senhor, Mr. Barack, e acaba com todos os nossos argumentos. Ele é contra a guerra do Iraque, quer estabelecer logo uma paz duradoura no Oriente Médio na base do diálogo, quer acabar com a dependência do país do petróleo externo via novas tecnologias mais limpas e ainda quer reduzir os índices de poluição, desemprego e pobreza nos States. E o sujeito ainda é preto, o primeiro preto da história presidente. Mas o que este cara está pensando??

É terrível, pois é quase impossível não gostar de Mr. Barack, ou ao menos guardar certa admiração por ele. Não resta dúvidas de que ele é o primeiro estadista, o primeiro grande líder do Século 21. Se seu governo será um sucesso, se ele conseguirá fazer tudo que quer é outra coisa; mas não se pode negar que, no mínimo dos mínimos, o cara possui um carisma espetacular e segue o mesmo raciocínio dos argumentos pelos quais a gente sempre meteu, e com gosto, o pau nos americanos.

E agora fazemos o que com nossa raiva, desprezo e repulsa pelos americanos? Finge que não existiu? Então até 19 de janeiro a gente detestava os filhos-das-putas dos americanos e em 20 de janeiro a gente admira esse povo de paixão? Não dá. Realmente não sei o que faremos com nosso antiamericanismo tão bem declarado e posto à vista no mínimo por estes últimos oito anos. Creio que seja por isso que há muita, muita gente, torcendo para o governo de Mr. Barack não dar certo, ainda que em silêncio, para poder manter esse sentimento vivo.

E agora fazemos o que, Mr. Barack? Eu, por enquanto, só digo: você está mandando bem – continue assim e boa sorte. Quanto ao meu antiamericanismo… está ferido de morte.

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ATRAVESSADA IRMÃO ROCHA #2

Ainda é muito cedo. Apesar da simpatia pelo Mr. Barack não consigo colocar de lado todo o sentimento anti-América que me acompanha há bons anos. Eu sou um dos maiores fãs do Michael Jordan, acho demais a maioria dos hip hop americanos e adoro o cinema de Hollywood. Mas da mesma forma que a comida é uma merda e o café é chá-fé, odeio a forma como os americanos exercem sua liderança no mundo. O Irmão Rocha já escreveu tudo sobre isso, não vou chover no molhado.

Portanto, ainda vejo que tudo o que envolveu Barack Obama até agora – desde sua cinematográfica disputa com Hillary, a indicação pelos Democratas à confirmação de que será o presidente da maior potência do planeta – não passou de um showbizz muito bem orquestrado. Quem assistiu o SuperBowl pode ter uma dimensão da analogia que quero fazer.

Não dá pra negar: eles são muito bons nisso.

Por isso caro presidente Obama, o odeio, sim. Mas é um ódio representativo: Mr. Obama representa pra mim, até agora, tudo de ruim que os americanos puseram ou fizeram ao mundo.

Mas também estou na torcida para que sua atuação acabe livrando a cara dos verdadeiros filhos da puta americanos que botaram toda uma nação, quiçá o mundo, nessa roubada financeira.

Haja trilhão de dólar pra salvar a economia e, na ponta desse novelo, o pobre consumidor, os americanos médios, nós, vós e todo o resto.

Apesar do otimismo, na minha visão exacerbada, sobre o desempenho de Obama, já surgem sinais de que sua equipe estelar, suas estratégias para reativar a economia e a montanha de dinheiro aplicada pra salvar verdadeiras instituições do capitalismo, nada disso surta o efeito desejado.

O que sinto falta mesmo é de alguém por o dedo na ferida. Em bom português dar nomes aos bois. Quem são e onde estão os malditos que conduziram o maior desastre econômico da história da humanidade? Sim caro blogueiro, blogado, se ainda não é o maior será, e o motivo é bem simples: na grande depressão os acontecimentos foram relatados pelo telex, portanto os efeitos não eram instantâneos. Agora a crise é divulgada online pra qualquer parte do mundo.

Quer dizer que, Yes, We Can: até o Osama lá nas cavernas do fim do mundo, Mr. Obama, sabe em tempo real o que o rola aí e como pensam seus compatriotras, aqueles que nós odiamos de morte.

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23 Janeiro 2009

Feliz 2009, políticos

Arquivado em: Política — irmaosrocha @ 40458 pm
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IRMÃO ROCHA #1

Em 1º de janeiro as prefeituras e câmaras municipais de todo o País receberam seus novos mandatários. Tomaram posse prefeitos e vereadores, o que em teoria é uma boa notícia, pois renova-se a esperança do eleitor de que os representantes do povão chegam pra atender os mais que justos anseios da massa. Ledo engano.

Em Sampa, a maior cidade do País, a principal notícia dos primeiros dias foi a briga entre os nobres vereadores pelos gabinetes com melhor acesso à saída dos fundos. Vê se pode. Discutir assuntos urgentes, programa de ações? Para quê?

Em Avaré, cidade onde voto, a coisa foi muito mais feia. Em meio a imbróglio jurídico por conta do ex-prefeito (candidato a reeleição, que venceu nas urnas mas não levou, até agora) acusado de uma série de crimes políticos – pra ser legal com ele, pois o buraco é beeeem mais embaixo -, a Justiça, em gesto no mínimo obscuro, entregou a prefeitura ao vice-prefeito, e não à chapa de oposição, como muitos dizem que a Lei estipula.

Resumo da ópera: ninguém entendeu nada e o vice está lá, na cadeira de prefeito, enquanto o ex-prefeito tenta na Justiça retomar o seu cargo. E os vereadores? Uma piada. Enchem a boca pra dizer que a cidade é uma estância turística, mas pelo turismo muito pouco é realizado. Enquanto isso a grana preta destinada a municípios com vocação turística é usada para sabe Deus o quê.

O que mais revolta nem são os vereadores oportunistas, os bandidos, os ladrões – posso dizer isso com a consciência tranqüila porque já está mais que comprovado que muitos são mesmo – e aqueles que caem ali de pára-quedas só de olho no salário e nas mamatas. É o povo, que faz vista grossa pra tudo isso. Pode reparar: qualquer conversa sobre vereadores ou vira piada ou reclamação da boca pra fora. Ação que é bom, nada.

Enquanto isso, no Senado os caciques articulam um aumento das vagas pra vereadores. Já está provado: não há necessidade de mais vereadores, será um gasto desnecessário e um prejuízo pro bolso do contribuinte. Mas o que dizer? No mínimo que a mobilização e corporativismo deles, os políticos, é de dar inveja.

Por tudo isso desejo que todos vocês, vereadores e prefeitos, se fodam tanto quanto fodem a gente. E um feliz 2009.

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ATRAVESSADA IRMÃO ROCHA #2

Realmente a situação nas câmaras de vereadores de praticamente todos os municípios do País é no mínimo vergonhosa. O que é terrível, pois ao menos em teoria o vereador é o político mais próximo do cidadão, aquele com o qual se tem mais contato – especialmente nas cidades do Interior como, por exemplo, a gloriosa Pratânia ou a aprazível Miguelópolis.

Creio que isso vem de dois pontos fundamentais, que precisam mudar rapidamente: o primeiro, como disse Rocha, é o povo. Por acaso você se lembra em quem votou para vereador nas últimas eleições? Quase ninguém lembra. E olha que isso foi em outubro, há apenas três meses! O eleitor quase não dá importância para a eleição de vereador, e deveria ser o oposto: deveria ser esta a mais importante, pelo fato de ser o político mais acessível.

Creio que, entretanto, ainda há esperança. O fato de Oscar Maroni não ter sido eleito nas últimas eleições para vereador em Sampa é bom exemplo. Me deixou feliz: entendi isso como um sinal de que pelo menos o eleitor não quis fazer palhaçada, votar de sacanagem como foi o caso do Clodovil para Deputado Federal.

O segundo ponto é a legislação eleitoral, que precisa ser alterada urgentemente. Além do exemplo da prefeitura de Avaré tenho mais um, de Cotia: há, lá, um sujeito que sempre quis tornar-se vereador. Tentou pela terceira vez nas últimas eleições e, novamente, não foi eleito – teve um número ínfimo de votos.

Mas, veja você: esse número ínfimo de votos fez com que ele fosse indicado como segundo suplente de outro vereador, eleito pelo mesmo partido do novo prefeito. Esse vereador tornou-se secretário da prefeitura, e o mesmo aconteceu com o primeiro suplente. Conclusão: o mandato caiu no colo do segundo suplente, justamente o cara que teve um número irrisório de votos. Mas ele, ainda assim, virou vereador em Cotia.

Como pode isso? Obviamente, ali, ele não é representante do povo. Não teve indicações suficientes do tal povo para assumir tal cargo, não merece estar ali. Mas está. A democracia, pelo menos aqui no Brasil, tem dessas coisas estranhas. Que precisam ser revistas urgentemente. Não seria mais correto que houvesse nova eleição para este cargo? Ou que este ficasse simplesmente vago? Ou que fosse proibido a um sujeito eleito para um cargo legislativo abrir mão dele e assumir outro? Creio que sim.

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16 Janeiro 2009

Por um jumbo na estrada

Arquivado em: Carros, Trânsito, Vida Urbana — irmaosrocha @ 40420 pm
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Caindo em linha reta...

IRMÃO ROCHA #1

De 20 de dezembro de 2008 a 4 de janeiro de 2009 morreram, nas estradas federais do Brasil, 435 pessoas. Quatrocentas e trinta e cinco pessoas perderam a vida andando em carros, caminhões, ônibus e motos nas estradas do País em coisa de meros 15 dias.

Muito pouca atenção se deu a esse fato na imprensa. Houve o registro e pronto, nada mais – no dia seguinte, esqueceu-se. Como quem apenas aceita, tal qual fato normal e cotidiano como a estrela de cinema que saiu para passear com o cachorro e este fez cocô no quintal do vizinho também famoso em Hollywood.

Talvez você tenha ouvido falar a respeito, mas talvez não. Mas você certamente se lembra do acidente com o Boeing da TAM em Congonhas, que matou 199 pessoas em julho de 2007; ou do acidente do Airbus da Gol que chocou-se com o Legacy no ar e matou 154 em setembro de 2006.

Ambos causaram comoção nacional, capas de Veja, exigências de investigação completa e identificação total das causas dos acidentes e dos culpados. Não digo que isso não deveria ocorrer; sem dúvida deveria, sem dúvida era caso de comoção nacional. O que eu não entendo é: se em cada um destes acidentes houve menos da metade do número de mortos nas estradas do País em um simples feriado de natal e ano novo, porque isso também não causa comoção nacional?

Será que teremos que enfiar todos estes 435 corpos em um jumbo (como minha amiga Adriana Almeida prefere referir-se a aviões de grande porte) e arremessá-lo contra um prédio para que alguém tome ciência da gravidade desta situação? Precisamos de imagens espetaculares de bolas de fogo, destroços e familiares chorando para que alguém tome providência, para que alguém identifique culpados – ainda que sejam os próprios motoristas?

Aproveito, assim, para lançar mais uma campanha dos Irmãos Rocha por meio deste blog: Por um jumbo na estrada! Quem sabe, assim, os mortos nas estradas consigam, finalmente, chamar a atenção do público, da imprensa, do governo, dos governantes e da justiça federal.

ATRAVESSADA IRMÃO ROCHA #2

É isso aí, Por um Jumbo na Estrada. Quem sabe as pessoas não percebem que é mais seguro viajar pelo ar do que em duas quatro ou mais rodas.

Não dá nem pra comentar o papel ridículo da imprensa que espreme à exaustão tragédias como as das quedas dos aviões enquanto morre tanto ou mais gente em estradas e nas ruas das cidades. Todos os dias.

Em vez de malhar a falta de compromisso da imprensa quero lembrar que os acidentes, na maioria deles, têm no motorista o principal vilão. Também pudera: como alguém pode dirigir bem, conhecer e utilizar as regras de trânsito desenvolvendo essas habilidades num Centro de Formação de Condutores como os do Brasil?

Trata-se de máfia que vende habilitações, que não está preocupada com a qualidade do aprendizado do motorista, que ajuda o candidato a colar na prova teórica, que compra o delegado do Detran que aplica as provas práticas, enfim, que faz tudo errado, cagando pra responsabilidade que lhes é conferida, já que o importante é ganhar dinheiro. E os otários jovens motoristas acham tudo isso super normal. Tem gente que até faz piadinha sobre esse absurdo que ocorre no País.

Pior são as autoridades que há anos, décadas, fazem vista grossa para essa ação abominável das auto-escolas. E como disse, até se beneficiam desse tipo de máfia, grande responsável pelos acidentes de trânsito, pois os motoristas estão cada vez menos preparados pra enfrentar os desafios ao volante.

Cadê a imprensa para pôr o dedo na ferida desses malandros e das autoridades? Onde estão as próprias autoridades – as sérias, do bem – para coibir a ação ou legislar de forma a tornar mais eficiente a formação dos condutores? Enquanto isso não acontece os bons motoristas continuarão sujeitos a morrer por conviver no trânsito com os bração. Por isso, Por um Jumbo na Estrada.

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11 Dezembro 2008

O fim de A Favorita

Arquivado em: TV, Vida Urbana — irmaosrocha @ 111110 am
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afavorita

IRMÃO ROCHA #1

Segue aqui, em primeiríssima mão, o final da novela global A Favorita. Conseguimos estas informações com uma fonte dentro da Globo, que sentiu-se ameaçada por este modesto blog após divulgarmos o ultra-secreto telefone da produção do Jô Soares. Lá vai:

Zé Bob: descobre-se que é viado e tem um caso com o editor-chefe e proprietário do jornal O Paulistano – por isso nunca foi mandado embora do jornal, apesar de aparecer na redação quando quer. E, quando aparece, sempre vem alguém atrás dele em meio ao ambiente de trabalho irritando os colegas jornalistas: família, Flora, Donatela etc. Durante a novela toda só fez uma matéria – a tela do seu computador está sempre com o cabeçalho O Paulistano e no máximo um parágrafo de texto. Donatela e Flora ficam putas porque descobrem que ele só catou elas para descobrir informações para sua matéria. No fundo, tinha nojo.

Lara: Se fudeu. Tomou um pé do Cassiano e outro do Halley – veja o porquê abaixo. Foi expulsa de casa pelo vovô Gonçalo porque esse se ligou que a mina era uma puta duma chata, mimada e nunca trabalhou na vida. Deprimida, vendeu o Land Rover, comprou o Gol podre de Zé Bob e cheirou a diferença. Foi morar numa pensão na Praça da República e é zuada constantemente por seu cabelo arrepiado todo sem corte, pois vovô confiscou a chapinha e os gastos no cabelereiro. Vive hoje de vender DVDs pirata nas redondezas do centro da cidade.

Copola: Se fudeu também: casou com a Glória Menezes.

Irene: Outra que se fudeu: casou com o Tarcísio Meira. Há alguns anos seria legal, mas ele está em fim de carreira. Assim como ela.

Dodi: A casa dele caiu, mas se recuperou. Perdeu a mansão, mas vendeu o Mustang e com a grana se mudou para o subúrbio carioca. Lá, matou um cara, pintou o cabelo de loiro, abriu uma empresa de segurança particular e foi eleito O Homem do Ano.

Cassiano: O terceiro representante do núcleo de chatos da novela, ao lado da Lara e Irene, deu um pé na bunda de Lara quando descobriu que ela deu para todos os professores para passar na faculdade, visto que mesmo não trabalhando nunca estudava e quando ia na faculdade, o que era raro, ou se atracava com alguém ou encontrava a Donatela ou a Flora na cantina e ficava horas lá conversando. Hoje canta e toca em festas de batizado.

Diduzinho: Esse se deu bem: ganha a vida como cover do Seu Jorge.

Orlandinho Queiroz: Também se deu bem. Ganha a vida como mascote da torcida do São Paulo Futebol Clube, inclusive representando o time em eventos sociais e esportivos.

Halley: Depois do choque de descobrir que sua verdadeira mãe é Dona Nenê, de A Grande Família, e que portanto ele não pode catar Tuco, seu grande amor, pois seria incesto, recebe a notícia de que foi batizado com o nome de um cometa que nunca apareceu. Revoltado, dá um pé na bunda de Lara e assina contrato com a Record.

Maria do Céu: como o personagem perdeu importância na novela e ela é uma puta de uma chata, tão chata que até o núcleo dos chatos rejeitou sua entrada, não teve um destino na novela. Ignoraram ela e ninguém percebeu, preocupado com o destino dos outros personagens mais legais. Mas foi vista chorando ao ver um CD pirata do O Rappa na banquinha de Lara.

Augusto César: Se deu bem – ganha a vida como cover do Patropi.

Donatela: Se deu bem, depois de tanto sofrer: casou com o Edson Celulari, e ele é 3G. Mas descobre que Faísca e Espoleta foi o Milli Vallini brasileiro e tenta se matar; É salva por um jumento e, por isso, separa-se de 3G e casa-se com Leonardo.

Flora: Se deu bem pacas! Foi desmascarada, mas casou com Romildo, que entrou com um pedido de anulação de todos os julgamentos dela no STF, concedido por Gilmar Mendes. Continuou ricaça e mantém um caso amoroso com Daniel Dantas, seu grande herói.

FIM

tv-globo

ATRAVESSADA IRMÃO ROCHA #2

Não tem jeito. Novela mexe com o brasileiro. Tá na boca do povo. Pode testar: em qualquer lugar do País que esteja, para puxar conversa com as pessoas basta comentar o último capítulo da novela das 8. Pronto: o bate-papo tá encaminhado. Ouso dizer que novela une o brasileiro mais que a política – já que nesse tema todo mundo tem memória curta.

Nem a drástica queda da audiência da novela das 8 – e de todas as outras da Globo – consegue mudar essa compulsão do brasileiro por elas. Até o Irmão Rocha, que no horário nobre provavelmente está navegando nos canais a cabo, se mobilizou para dar em primeira mão o fim da Favorita (quááááááá). Essa é a maior prova do poder desse folhetim televisivo.

E apesar de todos os (alguns válidos) argumentos contra a cultura da novela, ainda assim acredito no seu poder de mobilização e de entretenimento.

Tudo bem, o Marcelo Tas está certo quando diz que um folhetim minuciosamente preparado para ir ao ar – podendo custar milhões de reais o capítulo -, é produção pobre quando comparado com iniciativas mais criativas que mixam realidade e ficção na TV Brasileira.

Mesmo assim, de novo, novela faz parte da nossa cultura e isso não dá pra negar.

Mas como tudo na vida, novela deve ser consumida com parcimônia. Não dá pra viciar e engatar uma na outra.

Tem que ser encarada como uma diversão, uma com a qual nos identificamos. Não posso afirmar com 100% de certeza, mas desconfio que assistir novela é melhor do que ter em nossa programação todos os programas que acabaram por alienar completamente o telespectador americano médio. Construído há três décadas esse processo que teve – e ainda tem – uma diversidade de programas, séries e que tais lançados com o único propósito de criar uma visão deturpada da realidade, fez mais mal à sociedade americana do que faz a novela para a brasileira.

Ah, e voltando ao capítulo final. A única verdade do desfecho dos personagens de A Favorita acima é a de que o Zé Bob é gay. De verdade!

opiniao-no-muro

28 Novembro 2008

Telefone para o Jô – A Revanche

Arquivado em: Mundo, Mídia, Tecnologia — irmaosrocha @ 50546 pm
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binary path

IRMÃO ROCHA #1

Muito bem, prezado internauta e blogueiro ou blogado: acaba, aqui, a ingenuidade. A minha, pelo menos, acabou.

Bem, explico: até hoje, se você é uma pessoa normal, como eu e meu Irmão Rocha, pensou que era simples e corriqueiro pensar em um assunto qualquer, pessoal ou profissional, e buscar informações pelo Google. Certo? Certo. E que, claro, o Google lhe mostrava, ali, os resultados a partir da maior relevância, aqueles sites que mais se aproximam (ou dizem exatamente) algo sobre aquela pesquisa que você fez, certo?

Errado.

É por isso que digo que acabou a – ao menos a minha – ingenuidade. É o seguinte: você já ouviu falar em SEO? Provavelmente não. Mas deveria. SEO é a sigla de Search Engine Optimization. Catzo nenhum, alguma coisa técnica chata de computadores, certo?

Errado.

SEO é uma traquitana, é verdade. E uma traquitana em que muitas empresas, de marketing, propaganda, comunicação ou seja lá o que for estão utilizando. Vamos supor o seguinte: eu sou uma empresa de SEO. Você me paga e eu consigo com que a sua página de internet, o seu site, apareça entre os primeiros em pesquisas do Google. Qualquer pesquisa que guarde um mííínimo de semelhança com o que há no seu site, não importa o que for.

Ou seja: quando você, caro internauta ou blogueiro, faz uma pesquisa qualquer no Google, qualquer uma, os resultados que aparecem ali NÃO são os que o Google acha que tem mais relação com o que você quer. Os resultados que aparecem são daqueles sites que PAGARAM para empresas de SEO fazer com que o site delas aparecesse lá primeiro.

Como elas fazem isso? Não, elas não dão dinheiro direto para o Google. Elas conhecem a complicada lógica do Google em indicar os primeiros sites na lista de acordo com qualquer pesquisa. E só. Dão um jeito, seja lá qual for, que não me interessa e não vem ao caso. Mas os resultados que aparecem primeiro, sejam quais forem, são de empresas que pagaram para que isso acontecesse. Não, não é mentira. Juro. Pode procurar por SEO… no Google. Adivinhe se os primeiros resultados não serão de empresas que… bem, você entendeu.

Não, querido internauta, não acabou. Tem mais, muito mais. Você sabia que existem outras empresas que são especializadas em monitorar blogs e comunidades do Orkut e afins? Sim, é verdade. Para quê? Para dizer a outras empresas, clientes delas, o que eu, meu Irmão Rocha e os outros bilhões de blogueiros do mundo estão escrevendo sobre elas. Pois é. Você acha que é apenas um inocente blog, um inocente post, mas tenha certeza: muita gente, muita gente mesmo, está de olho. Principalmente empresas das quais você fala mal.

Como eu sei isso? Descobri após pesquisas que iniciei depois que a TV Globo postou um comentário nesse humilde, humildíssimo blog rechaçando, ainda que de forma educada, um post onde dissemos que não existe telefone para ligar para assistir ao Programa do Jô, apesar do Jô dizer toda noite que há pessoas que telefonaram na platéia. Veja só: uma porcaria de post numa porcaria de blog. A Globo se importou, e respondeu.

Bem, respondeu errado, isso que é curioso. Abaixo explico melhor. Mas o caso é o seguinte: empresas pagam, e pagam muita grana, para que outras empresas fiquem vasculhando a internet atrás de gente que fala mal delas ou dos produtos delas. Depois dão um jeito de passar um pano, desviar a coisa aqui, ali, seja como for. Incrível: ao invés delas usarem esse dinheiro para de fato melhorarem, para fazerem produtos melhores, não: pagam milhões para empresas que descobrem quem fala mal delas na internet para tentar melhorar a imagem. Dá para entender uma coisa dessas?

Bem, voltando ao telefone do Jô: a Globo postou aqui o telefone de uma central de todos os programas, e não o do Jô. Que descobre-se após alguns minutos e mil opções de uma máquina falante. Então, para facilitar a vida de todos, lá vai o telefone da produção do Jô Soares para quem quer assistir ao vivo à porcaria do Programa do Jô: (11) 5509.5644.

Vou repetir para que a empresa que monitora blogs e orkuts para a Rede Globo tenha certeza de que divulgamos: O TELEFONE DO PROGRAMA DO JÔ É (11) 5509.5644. O TELEFONE DA PRODUÇÃO DO PROGRAMA DO JÔ É (11) 5509.5644. O TELEFONE DO PROGRAMA DO JÔ SOARES DA REDE GLOBO DE TELEVISÃO É (11) 5509.5644. Pegaram, monitores?

Aproveitando, e fazendo jus aos milhões que estes novos especuladores da internet ganham, feito especuladores da bolsa de valores: A VIVO É UMA PORCARIA, É UMA EMPRESA QUE ENGANA O CLIENTE E COBRA POR SERVIÇOS NUNCA PRESTADOS. A TV POR ASSINATURA SKY É PÉSSIMA, NÃO ASSINEM! O SINAL CAI QUANDO CHOVE, MAS ELES NÃO DIZEM ISSO. E A PROGRAMAÇÃO É TODA REPETIDA E ELES DIZEM QUE NÃO TEM NADA A VER COM ISSO. E, finalmente: A TELEFÔNICA É A PIOR EMPRESA DO BRASIL: PRESTA UM SERVIÇO LASTIMÁVEL, COBRA POR COISAS QUE O CLIENTE NÃO PEDIU E SEUS ATENDENTES TIRAM SARRO DA CARA DE QUEM TELEFONA.

Bom trabalho, monitores da internet. E aqui para vocês, ó.

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ATRAVESSADA IRMÃO ROCHA #2

Ufa! Essa atravessada certamente ultrapassou os limites do padrão que tentamos imprimir no blog. Eu só não parei de ler quando chegaram os esporros em caixa alta porque foi meu Irmão Rocha que escreveu. E com muita propriedade!

A verdade é que você, eu e agora mais um Rocha esclarecido nunca navegamos no ambiente virtual com a liberdade que achávamos que tínhamos. Mas isso também não é tão novidade assim. Pense o contrário: em vez da sua iniciativa em procurar algo na web empresas estejam nesse momento procurando você no emaranhado de teias virtuais?

Pois isso é o mais comum na rede. Quem já não recebeu um Spam? Pra mandar um basta você ir à Santa Efigênia e comprar um CD/DVD com mailings de pessoas selecionadas por preferências de consumo como tabaco, cosméticos, roupas…

Se você não vai à montanha, ela se moverá até você muito mais rápido do que imagina. Essa me parece uma característica da Internet forjada numa comunicação que faz o consumidor interagir de uma nova maneira, mais acessível e inteligente, que agrada a todos nós.

Não se sinta enganado por não ser o legítimo dono da sua pesquisa nos search engines. Sua curiosidade pode ser plenamente atendida e ainda gera uma grana pra alguém que sabe como faturar enquanto milhões de pessoas precisam desesperadamente descobrir coisas nesse mundão que parece mesmo não ter mais fim.

Apesar de vaidosos, eu, você e o Irmão Rocha somos preciosos nessa equação recheada de uns e zeros, zeros e uns. Então, o jeito é fazer o tipo engana que eu gosto e desfrutar dessa maravilha do novo século. Ou procurar um jeito de contra-atacar e criar uma tecnologia realmente revolucionária e justa para todo mundo. Alguém aí tem uma idéia?

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12 Novembro 2008

Sobre economistas e bruxos

Arquivado em: Mundo, Política — irmaosrocha @ 50540 pm
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by Irmão Rocha #2.

Montagem tosca: by Irmão Rocha #2.

IRMÃO ROCHA #1

Já perdi a conta de ouvir a frase “não tenho bola de cristal” da boca de economistas ligados a bancos e financeiras. Sempre debochei desse tipo de muleta que ao mesmo tempo em que tenta eximir esse especialista de finanças dos seus (grandes) erros, agrega à sua imagem um quê de bruxo a serviço da especulação – em busca de aaaltos lucros.

Pois eu digo: acabou o tempo para especulações. Melhor, repito em forma de atravessada talvez uma das mais brilhantes pensatas do presidente Lula: “(…) o ser humano, o trabalhador, a produção agrícola e industrial e a produção cultural, científica e tecnológica são a razão de ser da economia, e não a especulação financeira”.

Não é possível que você, feliz proprietário de uma conta bancária, pague mais de 200% de juros e encargos cada vez mais altos para que esses economistas usem inescrupulosamente o SEU dinheiro – que não fica necessariamente ali, parado o mês inteiro -, em bolsas e geração de títulos. Vai trabalhar, vagabundo. Só porque sabe fazer conta melhor que outros pensa que pode ganhar mais?

Espero que muitos economistas gananciosos aprendam com perdas e dívidas da proporção dessa crise mundial que até a matemática não é suficiente diante do que eles mesmos chamaram de ciclos, ou bolhas.

Não seria razoável compreender que os números jamais fecharão sem considerar a distribuição, a diversidade e a natureza humana dos investimentos no futuro?

ATRAVESSADA IRMÃO ROCHA #2

Boa, Rocha. Apoiado. Outro dia mesmo ouvi de uma pessoa, que não é economista mas atua profissionalmente como se fosse, e que ocupa posição importante em uma empresa idem, que economista não faz profecia. Se fizesse, e acertasse, obviamente seria rico.

Aproveitando o gancho da economia, economistas, crises e afins, apresento uma sugestão, algo para melhorar o que considero incorreto: os bilhões (BIlhões!!!) de dólares que estão sendo fartamente distribuídos para segurar a tal da crise, ou para que ela não afete as economias, estão sendo destinados, obviamente, para o(s) canal(is) errado(s).

Pense comigo: os governos estão enfiando montanhas de dinheiro em empresas e bancos para quê (ou pelo menos com que argumento)? Essencialmente para manter o consumo e, com ele, o passo da economia. Pois enfiando dinheiro em empresas estas empresas, diz-se, não quebrarão e portanto não demitirão, e portanto seus funcionários continuarão a comprar utilizando o crédito fornecido pelos bancos, graças à garantia de que não perderão o emprego e portanto podem se endividar.

Parece correto, não? Sim, parece. Mas perceba: o elo que está sendo engordado é o elo errado. Tudo gira em torno de manter o consumidor às compras, certo? Então, catzo, me diga aí: porque o dinheiro vai para as empresas e não direto para o consumidor? Pois, parece óbvio: com dinheiro o consumidor consumirá; ele consumindo, empresas produzirão; em elas produzindo, empregos serão mantidos. Pronto! Porque dar a volta dinheiro-vai-para-as-empresas, empresas-não-demitem e empregados-mantidos-no-emprego-consomem? Que nó é esse?

Deveria ser assim, então: ao invés da empresa em que Rocha #1 trabalha dizer “querido Rocha 1, estamos na merda por cagadas que nós mesmos fizemos mas o governo arrumou tutu prá nóis então não vamos demiti-lo, pode continuar comprando”, o certo seria: O governo diz “querido Irmão Rocha #1, te demos um crédito de vários mil reais para você gastar no que quiser, mas tem que gastar, não pode deixar na poupança. Compre um carro, uma geladeira, reforme a casa. Se precisar de mais grana a gente te arruma”. Aí Rocha #1 diria para a empresa: “Aí, apesar das cagadas que vocês fizeram vou comprar seu produto, então você vai continuar produzindo e não precisa me mandar embora”. Fácil e muito mais justo, não? A mesma coisa aconteceria com o Irmão Rocha #2, eu, e assim vai com todo mundo assalariado.

Não sou bruxo, mas quem sabe viro economista.

Ficaria melhor no nosso pescoço do que no dos empresários e banqueiros.

Ficaria melhor no nosso pescoço do que no dos empresários e banqueiros.

Consumo tabelado

Arquivado em: Carros — irmaosrocha @ 50502 pm
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você?

Sempre na reserva: você?

IRMÃO ROCHA #1

Blogueiros e blogados, a confusão acabou! Agora há UM critério que define o consumo do seu veículo. Trata-se de um selo lançado pelo governo e que em breve estará na maioria dos veículos vendidos no País. Exatamente como hoje acontece com geladeiras e outros aparelhos eletrônicos, que informam o consumo de energia elétrica de forma que se possa comparar um com o outro.

Isso transformará a imprensa automotiva, principalmente aquelas publicações que se dedicam a esse tipo de teste.

Já conheci entusiastas capazes de comprar todas as revistas e jornais pra encontrar a melhor relação de consumo do seu veículo. Os boqueiros, por exemplo, são capazes de dizer qual o consumo de determinado carro encontrado por cada uma das publicações. Mas, a partir de abril, se tudo for cumprido como combinado, é só olhar o pára-brisas do carro na concessionária para saber em que faixa de consumo ele se enquadra.

Não se trata de oportunidade pra melhorar o conteúdo da mídia especializada? Apaixonados, entusiastas e alunos de universidades relacionadas ao setor automotivo concordam que a qualidade dessas matérias deixa a desejar na maioria dos casos.

Mas também existem pessoas que acreditam que esteja emergindo novas possibilidades para a mídia entregar um produto mais ao gosto dos seus consumidores.

Está na hora das redações organizarem suas pautas escutando mais as necessidades dos leitores/ouvintes/telespectadores/internautas. E esse é um processo que nunca acaba, e por isso os profissionais precisam estar preparados para enfrentar constantes transformações.

Opinião só dá quem tem.

ATRAVESSADA IRMÃO ROCHA #2

Concordo que, pelo ponto de vista do consumidor, a etiqueta (na verdade um adesivo) que indica o consumo do veículo é mais do que bem-vinda. Até porque, até agora, cada montadora ou publicação do setor fazia sua medição de consumo de acordo com o que mais lhe convinha ou o que julgava que era correto do seu ponto de vista – apesar de a ABNT possuir há muito tempo uma norma padrão para tal, não havia qualquer obrigação de utilizá-la.

Agora, como as medições serão feitas por uma entidade independente das montadoras e das revistas, jornais, editoras e etc., o Inmetro, pode-se dizer que são confiáveis e feitas, todas, dentro de um mesmo parâmetro. Porque as montadoras, por exemplo (as que divulgam informações de consumo; nem todas o fazem), faziam assim: põe o veículo no nível do mar, usa um piloto bem magrinho, fecha as janelas, anda só triscando o acelerador… e tome consumo bão pacas, ao menos no papel. Fora que nada impedia que, se o consumo aferido fosse, por exemplo, 12,9 km/l, e o departamento de marketing da montadora achasse que era pouco, a montadora divulgava 15 km/l e pronto. Nada impedia, repito.

Agora há um padrão, e será bonito de ver quando a primeira montadora descobrir que consumo, sim, é um belo argumento para vender carro. No momento em que a primeira publicar um anúncio dizendo “pode comparar na etiqueta, nosso carro é mais econômico do que todos os rivais” outras farão o mesmo. E aí a etiqueta, e saber e medir o consumo, fará sentido na cabeça do consumidor. E nas vendas.

em breve no seu zero km.

Etiqueta de consumo de automóveis: em breve no seu zero km. Foto: iCarros.

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