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5 Março 2008

A polêmica da esquerda

Arquivado em: Vida Urbana — irmaosrocha @ 101010 pm

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Irmão Rocha #1

Putaquepariu. O que faz motorista que trafega por São Paulo achar que a faixa da esquerda é a melhor opção para chegar a algum lugar? Por que todos os piores motoristas, as mulheres, e os tiozinhos de plantão acham que a faixa da esquerda é o máximo, é o caminho mais rápido?

Esses maus motoristas rodam a 40 km/h, 60 km/h, quando o normal seria dar passagem pela esquerda para os carros que preferem acelerar mais e que têm todo o direito de fazer nessa faixa. Imagine uma avenida com três faixas, cuja velocidade máxima permitida é de 70 km/h. Pode ter certeza que na posição à esquerda estarão os carros mais lentos.

E o pior é que esses braços duros nem se importam com o fluxo do trânsito, com aqueles que estão atrás dele tentando imprimir uma velocidade maior e fugir de engarrafamentos. Isso que é egoísmo, falta de consciência no trânsito – que é uma atividade coletiva, por mais que você se sinta o dono do pedaço atrás do volante. É um dos motivos para o trânsito caótico de cidades como Sampa. Tudo bem, até entendo que rodar na faixa do meio é mais difícil porque os ônibus, na direita, não estão nem aí com você ali do lado – mas isso é assunto pra outro post. Tem também os motoboys que circulam a milhão no corredor e pressionam aqueles que preferem dirigir em velocidade menor. Mas não é justificativa para você ou qualquer um se sentir o dono da esquerda. Dê passagem putaquepariu!

Atravessada Irmão Rocha #2

Eu discordo e, claro, atravesso. Penso que é fácil culpar a pessoa do carro à frente pela lerdeza do trânsito. Fácil demais. Claro que denota certa falta de educação andar pela esquerda abaixo ou mesmo muito abaixo do limite da via; mas haverá razão para tal? Buracos nas outras faixas? Motoboys que passam pelo corredor a cada segundo e impedem a mudança de faixa de forma rápida? Possível conversão à esquerda logo a seguir? Há montes de hipóteses, mas pouco importa.

Acho que é mais razoável, ao invés de xingar o carro que vai à frente na faixa da esquerda, xingar o governo municipal que não investe em sinalização e asfaltamento correto da via. O governo estadual, que não investe em política de transporte público, como metrôs e sistema de ônibus que de fato funcione. E o governo federal, que na gigantesca maioria das vezes releva qualquer política de transporte, especialmente aquela relacionada à segurança e fluidez de tráfego e política legal de trânsito – ainda crê que o único modo de atuar nessa área é multar.

Defendo que existisse a cada esquina de São Paulo um radar. Para a velocidade correta da via: 90 km/h nas marginais, 80 km/h em vias principais, 60 km/h em secundárias e daí por diante. Creio que isso já seria bom começo e aliviaria o pára-e-anda no trânsito paulistano, pois não haveria razão para se correr mais ou menos do que a velocidade permitida na via. E acabaria aquela coisa de acelera-500-metros-freia-com-tudo-no-radar-acelera-com-tudo-de novo, que acaba sempre a prejudicar a fluidez. Um sistema com radar a cada esquina eliminaria a grande parte dos tais ditos Zé-manés abaixo do limite na pista da esquerda, pois todas as pistas de rolamento seguiriam praticamente na mesma velocidade, sempre próxima à do limite.

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