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31 Março 2008

Vai um iPhone aí?

Arquivado em: Tecnologia — irmaosrocha @ 70726 pm
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iPhone 

Irmão Rocha #1

Ainda não entendi a febre do iPhone fora dos Estados Unidos, ou melhor, aqui no Brasil. Tudo bem, o aparelho é revolucionário, mas não são os entusiastas por tecnologia, normalmente ávidos por adquirir novidades assim que são lançados, os maiores fãs do celular da Apple.

Na última semana recebi mais de uma dezena de ligações de pessoas pedindo pra eu trazer um iPhone dos Estados Unidos. Tenho viagem marcada pra lá e a galera tá me achando com cara de sacoleiro. Tudo bem, não custa tentar, mas peralá…

Engraçado que senhores prá lá dos 50 anos desejam o aparelho. Pessoas que sequer usam a calculadora de seus celulares são capazes de pagar R$ 1,8 mil para possuir um legítimo iPhone. O que ele tem de tão excepcional pra causar tamanha expectativa nas pessoas?

O mais interessante é que a maioria dessas pessoas se diz contra a pirataria. Só compram produtos com nota fiscal e tal. São exemplos da sociedade brasileira. Mas não titubeiam em utilizar um telefone que ainda não é cadastrado oficialmente pelas operadoras do País. E nem têm paciência de esperar a chegada do iPhone no Brasil, programada para junho ou julho.

Pra mim esse é mais um exemplo de característica peculiar do brasileiro: lição de moral vale pros outros. Quando está em jogo interesse pessoal, vale tudo. Ô jeito brasileiro que fode com tudo, viu…

Como eu tenho posição definida sobre o caso já escancarada em outros posts, vou trazer um iPhone só pra mim. Quem sabe descubro o que ele tem de tão fascinante.

Atravessada Irmão Rocha #2

Vamo lá: uma coisa uma coisa, outra cousa outra cousa.

Primeiro: não defendo quem traz, ou pede para trazer. Quer, pague direito. Acha caro e injusto, não compre. Ponto. iPhone aqui não funciona, cabou. Mesmo que você pague e traga legalmente, visto que isso pode, sim ser feito, já que você pode comprar qualquer coisa até US$ 500 no estrangeiro sem impostos, e o iPhone custa menos, beleza. Mas para que o bicho funcione aqui será preciso desbloqueá-lo, e para isso será preciso o uso de um, anhãn, profissonal, anhãn de novo, que fará isso ilegalmente. E o feliz proprietário não terá garantia nem nada. Se o tal desbloqueador estragar seu iPhone novinho, azar seu.

Isso posto, e postado, avante. Não me parece exatamente correto usar o argumento de “aahhh é contra pirataria mas compra coisa sem nota fiscal, néééé”. Explico: sou contra a comercialização de pirataria. Copiar para uso pessoal sou a favor, sim, como eu copiava LPs para K7 no meu 3-em-1 Mitsubishi na adolescência. Isso nunca foi crime.

Defendo copiar, e distribuir aos amigos, discos antigos convertidos, que nenhuma gravadora interessou-se em reeditar em CD pois não era comercialmente interessante. Isso é distribuir cultura. É lembrar o passado não-comercial. Isso é muito bom. O mesmo vale para filmes antigos.

Mas o dinheiro que se dá ao simpático vendedor da banquinha de DVDs piratas vai direto para o crime organizado. Ou alguém tem a ilusão de que vai para o Fundo Internacional dos Defensores da Cultura Cinematográfica Livre do Novo Milênio?

A indústria da pirataria é cruel. É dinheiro sujo e roubado que gera mais dinheiro que se torna, automaticamente, mais sujo e roubado ainda. O dinheiro que você dá ao vendedor de DVDs pirata tem o mesmo destino do dinheiro da venda de drogas. Que, aliás, são controlados pelas mesmas pessoas e PCCs, AMAs e etc.

Comprar DVD pirata é atitude idêntica a comprar droga de traficante. Esse dinheiro servirá para comprar armas, para matar, sufocar, roubar, humilhar, achacar, ameaçar pessoas que nada têm a ver com isso. E gente pobre, principalmente.

Por isso também defendo: quer fumar maconha, plante.

Há quem diga que não vai ao cinema porquê não quer dar dinheiro aos barões de Hollywood. Prefiro meu $$ no bolso deles aos bolsos dos barões da Rocinha, do Alemão, de Heliópolis e tantas mais.

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