Disputa da pole position na faixa de pedestres (Foto: fotocidadao.wordpress.com)
Irmão Rocha #1
O brasileiro devia aprender algumas coisas com o americano (deixa eles se chamarem assim, que é que tem?). A organização dos serviços e a obediência às regras do trânsito e do convívio com o próximo são dois ótimos exemplos.
Lógico que tem motorista que passa no sinal vermelho ou pára o carro em cima da faixa de pedestre. Mas isso só acontece quando as condições permitem: ou não tem pedestre ou não tem carro. De resto todo mundo segue à risca as exigências.
Todo mundo dá seta em qualquer situação, mesmo estando sozinho numa rua ou estrada: pra mudar de faixa é seta e não tem conversa. Assim o trânsito flui muito melhor – tá certo que as ruas e estradas são enormes e muito bem sinalizadas, mas também tem muito mais carro nos States do que no Brasil.
Outra coisa que me chamou a atenção é a qualidade dos serviços: pode ter 2 metros de neve na rua que o People Mover, o trenzinho suspenso em Detroit, funciona regularmente. Se você marcou um táxi pra 9h15 pode apostar que 9h14 e 55 segundos ele estará na sua porta. Shopping fecha às 9 pm e nem um minuto a mais ou a menos. Tentei burlar algumas regras lá como fazer compras 1 minuto depois desse horário e realmente não foi possível. Jeitinho brasileiro nem pensar.
Me disseram que tudo funciona por dois fatores um tanto carentes no Brasil: educação e leis rígidas pra todo mundo.
As pessoas aprendem desde criancinha o que é permitido e o que não. Boas maneiras e regras básicas de convivência em sociedade – se bem que acho isso, em alguns casos, uma falsa questão para os americanos mal educados, prepotentes e arrograntes.
Tem também a questão das leis por lá. Experimenta sair da linha… É cana e não tem conversa, suborno, ou o clássico “você sabe com quem está falando, seu guarda?”.
E a cadeia não tem mordomias como a que os malandros do Brasil estão acostumados (celular, visitinha da mulher ou da amante, entrada de comidas ou coisas do tipo). Ninguém gosta muito de falar sobre a cadeia nos States, parece que é um terreno que todos querem evitar.
Mesmo assim regras e comportamentos que valem pra eles, entre eles, muitas vezes não são aplicadas com os outros. Como nós de países abaixo do Equador ou do outro lado do Atlântico. Então, do que vale se manter na linha, ser certinho lá? Não sei a resposta, mas um pouco do que eles praticam todos os dias misturado com o nosso estilo de vida mais despojado não seria nada mal pra um povo carente de educação e de leis eficazes.
Atravessada Irmão Rocha #2
É verdade que trânsito no Brasil lembra calamidade, especialmente nas grandes metrópoles. Mas há provas de que há esperança no Brasil. Basta viajar até Brasília. É realmente impressionante, principalmente para quem vive longe de lá.
Para-se nos poucos semáforos, respeita-se a velocidade máxima das vias – há um radar, lá chamado de pardal, a cada 200 metros. E há infinitas faixas de pedestre, que todo motorista respeita e pára – antes dela. E espera-se o pedestre chegar do outro lado, pois ele tem o direito de desistir da travessia no meio do caminho. E nem por isso há congestionamentos ou gente buzinando atrás. Buzinando? Em Brasília não se buzina. Se os carros lá fossem vendidos sem buzina (Vicente Alessi já viu um desses) não faria a mínima diferença.
Creio que a questão é algo próximo ao que chama-se civilidade. As leis de trânsito aqui são muito boas – boa parte do nosso código de trânsito, inclusive, foi inspirado no dos estadunidenses. Apenas é uma questão de que não são cumpridas, possivelmente por não serem fiscalizadas. Aqui também se deve dar seta a cada mudança de faixa, por exemplo. Mas ninguém é multado por não fazê-lo.
Nos EUA o guarda pára quem está andando com uma lanterna queimada. O mesmo poderia ser feito aqui, pela lei. Mas não é feito, por uma série de razões.
Imagino o que aconteceria se aqui fosse estabelecida a mesma lógica de trânsito de Londres, que considero a mais correta: lá a responsabilidade é sempre de quem está em um veículo maior. Funciona assim: se um ônibus bater no seu carro, a culpa é do ônibus mesmo que você tenha feito algo errado e causado o acidente. Como ele é o maior, a responsabilidade por cuidar e proteger é dele.
A mesma coisa se uma moto bater em um carro: a culpa será sempre do carro. E se uma moto bater em uma bicicleta a culpa é da moto, mesmo que a bicicleta tenha ultrapassado o farol vermelho na contramão. Não interessa.
Claro que lá ninguém se aproveita disso. É algo cultural e de bagagem educacional. Mas nem sempre foi assim. Nos estádios de futebol não há alambrados: é facílimo invadir o campo. Só que os alambrados foram retirados justamente para acabar com os hooligans. Não é interessante?
Imagine os motoboys andando em São Paulo amparados por uma lei em que eles são sempre inocentes em caso de um acidente com um carro. Fim dos tempos? Acredito que não. É só questão de costume.

Em Bsb, antes era uma questão economica, os guardas ficavam parados perto das faixas para multar os motoristas. Hj, é só uma questão de costume.
Comentário por Érika — 19 Junho 2008 @ 60600 pm |