
Caindo em linha reta...
IRMÃO ROCHA #1
De 20 de dezembro de 2008 a 4 de janeiro de 2009 morreram, nas estradas federais do Brasil, 435 pessoas. Quatrocentas e trinta e cinco pessoas perderam a vida andando em carros, caminhões, ônibus e motos nas estradas do País em coisa de meros 15 dias.
Muito pouca atenção se deu a esse fato na imprensa. Houve o registro e pronto, nada mais – no dia seguinte, esqueceu-se. Como quem apenas aceita, tal qual fato normal e cotidiano como a estrela de cinema que saiu para passear com o cachorro e este fez cocô no quintal do vizinho também famoso em Hollywood.
Talvez você tenha ouvido falar a respeito, mas talvez não. Mas você certamente se lembra do acidente com o Boeing da TAM em Congonhas, que matou 199 pessoas em julho de 2007; ou do acidente do Airbus da Gol que chocou-se com o Legacy no ar e matou 154 em setembro de 2006.
Ambos causaram comoção nacional, capas de Veja, exigências de investigação completa e identificação total das causas dos acidentes e dos culpados. Não digo que isso não deveria ocorrer; sem dúvida deveria, sem dúvida era caso de comoção nacional. O que eu não entendo é: se em cada um destes acidentes houve menos da metade do número de mortos nas estradas do País em um simples feriado de natal e ano novo, porque isso também não causa comoção nacional?
Será que teremos que enfiar todos estes 435 corpos em um jumbo (como minha amiga Adriana Almeida prefere referir-se a aviões de grande porte) e arremessá-lo contra um prédio para que alguém tome ciência da gravidade desta situação? Precisamos de imagens espetaculares de bolas de fogo, destroços e familiares chorando para que alguém tome providência, para que alguém identifique culpados – ainda que sejam os próprios motoristas?
Aproveito, assim, para lançar mais uma campanha dos Irmãos Rocha por meio deste blog: Por um jumbo na estrada! Quem sabe, assim, os mortos nas estradas consigam, finalmente, chamar a atenção do público, da imprensa, do governo, dos governantes e da justiça federal.
ATRAVESSADA IRMÃO ROCHA #2
É isso aí, Por um Jumbo na Estrada. Quem sabe as pessoas não percebem que é mais seguro viajar pelo ar do que em duas quatro ou mais rodas.
Não dá nem pra comentar o papel ridículo da imprensa que espreme à exaustão tragédias como as das quedas dos aviões enquanto morre tanto ou mais gente em estradas e nas ruas das cidades. Todos os dias.
Em vez de malhar a falta de compromisso da imprensa quero lembrar que os acidentes, na maioria deles, têm no motorista o principal vilão. Também pudera: como alguém pode dirigir bem, conhecer e utilizar as regras de trânsito desenvolvendo essas habilidades num Centro de Formação de Condutores como os do Brasil?
Trata-se de máfia que vende habilitações, que não está preocupada com a qualidade do aprendizado do motorista, que ajuda o candidato a colar na prova teórica, que compra o delegado do Detran que aplica as provas práticas, enfim, que faz tudo errado, cagando pra responsabilidade que lhes é conferida, já que o importante é ganhar dinheiro. E os otários jovens motoristas acham tudo isso super normal. Tem gente que até faz piadinha sobre esse absurdo que ocorre no País.
Pior são as autoridades que há anos, décadas, fazem vista grossa para essa ação abominável das auto-escolas. E como disse, até se beneficiam desse tipo de máfia, grande responsável pelos acidentes de trânsito, pois os motoristas estão cada vez menos preparados pra enfrentar os desafios ao volante.
Cadê a imprensa para pôr o dedo na ferida desses malandros e das autoridades? Onde estão as próprias autoridades – as sérias, do bem – para coibir a ação ou legislar de forma a tornar mais eficiente a formação dos condutores? Enquanto isso não acontece os bons motoristas continuarão sujeitos a morrer por conviver no trânsito com os bração. Por isso, Por um Jumbo na Estrada.
