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23 Janeiro 2009

Feliz 2009, políticos

Arquivado em: Política — irmaosrocha @ 40458 pm
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IRMÃO ROCHA #1

Em 1º de janeiro as prefeituras e câmaras municipais de todo o País receberam seus novos mandatários. Tomaram posse prefeitos e vereadores, o que em teoria é uma boa notícia, pois renova-se a esperança do eleitor de que os representantes do povão chegam pra atender os mais que justos anseios da massa. Ledo engano.

Em Sampa, a maior cidade do País, a principal notícia dos primeiros dias foi a briga entre os nobres vereadores pelos gabinetes com melhor acesso à saída dos fundos. Vê se pode. Discutir assuntos urgentes, programa de ações? Para quê?

Em Avaré, cidade onde voto, a coisa foi muito mais feia. Em meio a imbróglio jurídico por conta do ex-prefeito (candidato a reeleição, que venceu nas urnas mas não levou, até agora) acusado de uma série de crimes políticos – pra ser legal com ele, pois o buraco é beeeem mais embaixo -, a Justiça, em gesto no mínimo obscuro, entregou a prefeitura ao vice-prefeito, e não à chapa de oposição, como muitos dizem que a Lei estipula.

Resumo da ópera: ninguém entendeu nada e o vice está lá, na cadeira de prefeito, enquanto o ex-prefeito tenta na Justiça retomar o seu cargo. E os vereadores? Uma piada. Enchem a boca pra dizer que a cidade é uma estância turística, mas pelo turismo muito pouco é realizado. Enquanto isso a grana preta destinada a municípios com vocação turística é usada para sabe Deus o quê.

O que mais revolta nem são os vereadores oportunistas, os bandidos, os ladrões – posso dizer isso com a consciência tranqüila porque já está mais que comprovado que muitos são mesmo – e aqueles que caem ali de pára-quedas só de olho no salário e nas mamatas. É o povo, que faz vista grossa pra tudo isso. Pode reparar: qualquer conversa sobre vereadores ou vira piada ou reclamação da boca pra fora. Ação que é bom, nada.

Enquanto isso, no Senado os caciques articulam um aumento das vagas pra vereadores. Já está provado: não há necessidade de mais vereadores, será um gasto desnecessário e um prejuízo pro bolso do contribuinte. Mas o que dizer? No mínimo que a mobilização e corporativismo deles, os políticos, é de dar inveja.

Por tudo isso desejo que todos vocês, vereadores e prefeitos, se fodam tanto quanto fodem a gente. E um feliz 2009.

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ATRAVESSADA IRMÃO ROCHA #2

Realmente a situação nas câmaras de vereadores de praticamente todos os municípios do País é no mínimo vergonhosa. O que é terrível, pois ao menos em teoria o vereador é o político mais próximo do cidadão, aquele com o qual se tem mais contato – especialmente nas cidades do Interior como, por exemplo, a gloriosa Pratânia ou a aprazível Miguelópolis.

Creio que isso vem de dois pontos fundamentais, que precisam mudar rapidamente: o primeiro, como disse Rocha, é o povo. Por acaso você se lembra em quem votou para vereador nas últimas eleições? Quase ninguém lembra. E olha que isso foi em outubro, há apenas três meses! O eleitor quase não dá importância para a eleição de vereador, e deveria ser o oposto: deveria ser esta a mais importante, pelo fato de ser o político mais acessível.

Creio que, entretanto, ainda há esperança. O fato de Oscar Maroni não ter sido eleito nas últimas eleições para vereador em Sampa é bom exemplo. Me deixou feliz: entendi isso como um sinal de que pelo menos o eleitor não quis fazer palhaçada, votar de sacanagem como foi o caso do Clodovil para Deputado Federal.

O segundo ponto é a legislação eleitoral, que precisa ser alterada urgentemente. Além do exemplo da prefeitura de Avaré tenho mais um, de Cotia: há, lá, um sujeito que sempre quis tornar-se vereador. Tentou pela terceira vez nas últimas eleições e, novamente, não foi eleito – teve um número ínfimo de votos.

Mas, veja você: esse número ínfimo de votos fez com que ele fosse indicado como segundo suplente de outro vereador, eleito pelo mesmo partido do novo prefeito. Esse vereador tornou-se secretário da prefeitura, e o mesmo aconteceu com o primeiro suplente. Conclusão: o mandato caiu no colo do segundo suplente, justamente o cara que teve um número irrisório de votos. Mas ele, ainda assim, virou vereador em Cotia.

Como pode isso? Obviamente, ali, ele não é representante do povo. Não teve indicações suficientes do tal povo para assumir tal cargo, não merece estar ali. Mas está. A democracia, pelo menos aqui no Brasil, tem dessas coisas estranhas. Que precisam ser revistas urgentemente. Não seria mais correto que houvesse nova eleição para este cargo? Ou que este ficasse simplesmente vago? Ou que fosse proibido a um sujeito eleito para um cargo legislativo abrir mão dele e assumir outro? Creio que sim.

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