
IRMÃO ROCHA #1
A eleição e posse de Barack Obama como novo presidente dos Estados Unidos causou um enorme problema para nós, brasileiros, e para a gigantesca maioria dos povos do mundo, exceto os americanos ou estadunidenses, como queira: o que a gente faz, agora, com nosso ódio pelos americanos?
Na época dos Bush – tanto papai quanto filhinho – era uma moleza. Podíamos xingar, massacrar, tirar sarro dos americanos à vontade. Povo filho da puta que só pensa em guerra! Povo filho da puta que só come no McDonald´s e espalha as maldades do capitalismo pelo mundo afora!! Povo preconceituoso filho da puta que só pensa em petróleo, em poluir o planeta!!! Que os americanos se fodam, eles merecem!!!!
Aí vem este senhor, Mr. Barack, e acaba com todos os nossos argumentos. Ele é contra a guerra do Iraque, quer estabelecer logo uma paz duradoura no Oriente Médio na base do diálogo, quer acabar com a dependência do país do petróleo externo via novas tecnologias mais limpas e ainda quer reduzir os índices de poluição, desemprego e pobreza nos States. E o sujeito ainda é preto, o primeiro preto da história presidente. Mas o que este cara está pensando??
É terrível, pois é quase impossível não gostar de Mr. Barack, ou ao menos guardar certa admiração por ele. Não resta dúvidas de que ele é o primeiro estadista, o primeiro grande líder do Século 21. Se seu governo será um sucesso, se ele conseguirá fazer tudo que quer é outra coisa; mas não se pode negar que, no mínimo dos mínimos, o cara possui um carisma espetacular e segue o mesmo raciocínio dos argumentos pelos quais a gente sempre meteu, e com gosto, o pau nos americanos.
E agora fazemos o que com nossa raiva, desprezo e repulsa pelos americanos? Finge que não existiu? Então até 19 de janeiro a gente detestava os filhos-das-putas dos americanos e em 20 de janeiro a gente admira esse povo de paixão? Não dá. Realmente não sei o que faremos com nosso antiamericanismo tão bem declarado e posto à vista no mínimo por estes últimos oito anos. Creio que seja por isso que há muita, muita gente, torcendo para o governo de Mr. Barack não dar certo, ainda que em silêncio, para poder manter esse sentimento vivo.
E agora fazemos o que, Mr. Barack? Eu, por enquanto, só digo: você está mandando bem – continue assim e boa sorte. Quanto ao meu antiamericanismo… está ferido de morte.

ATRAVESSADA IRMÃO ROCHA #2
Ainda é muito cedo. Apesar da simpatia pelo Mr. Barack não consigo colocar de lado todo o sentimento anti-América que me acompanha há bons anos. Eu sou um dos maiores fãs do Michael Jordan, acho demais a maioria dos hip hop americanos e adoro o cinema de Hollywood. Mas da mesma forma que a comida é uma merda e o café é chá-fé, odeio a forma como os americanos exercem sua liderança no mundo. O Irmão Rocha já escreveu tudo sobre isso, não vou chover no molhado.
Portanto, ainda vejo que tudo o que envolveu Barack Obama até agora – desde sua cinematográfica disputa com Hillary, a indicação pelos Democratas à confirmação de que será o presidente da maior potência do planeta – não passou de um showbizz muito bem orquestrado. Quem assistiu o SuperBowl pode ter uma dimensão da analogia que quero fazer.
Não dá pra negar: eles são muito bons nisso.
Por isso caro presidente Obama, o odeio, sim. Mas é um ódio representativo: Mr. Obama representa pra mim, até agora, tudo de ruim que os americanos puseram ou fizeram ao mundo.
Mas também estou na torcida para que sua atuação acabe livrando a cara dos verdadeiros filhos da puta americanos que botaram toda uma nação, quiçá o mundo, nessa roubada financeira.
Haja trilhão de dólar pra salvar a economia e, na ponta desse novelo, o pobre consumidor, os americanos médios, nós, vós e todo o resto.
Apesar do otimismo, na minha visão exacerbada, sobre o desempenho de Obama, já surgem sinais de que sua equipe estelar, suas estratégias para reativar a economia e a montanha de dinheiro aplicada pra salvar verdadeiras instituições do capitalismo, nada disso surta o efeito desejado.
O que sinto falta mesmo é de alguém por o dedo na ferida. Em bom português dar nomes aos bois. Quem são e onde estão os malditos que conduziram o maior desastre econômico da história da humanidade? Sim caro blogueiro, blogado, se ainda não é o maior será, e o motivo é bem simples: na grande depressão os acontecimentos foram relatados pelo telex, portanto os efeitos não eram instantâneos. Agora a crise é divulgada online pra qualquer parte do mundo.
Quer dizer que, Yes, We Can: até o Osama lá nas cavernas do fim do mundo, Mr. Obama, sabe em tempo real o que o rola aí e como pensam seus compatriotras, aqueles que nós odiamos de morte.
