. . . . . . . A T R A V E S S A N D O . . . . . . . . . . . . um blog dos irmãos rocha

25 Abril 2009

Jornalista, a profissão sem futuro

Arquivado em: Credibilidade, Jornalismo, Jornalista, Mídia, TV, Vida Urbana — irmaosrocha @ 10148 pm
Tags: , , ,

revista-imprensa

IRMÃO ROCHA #1

Creio que uma das profissões mais sem futuro que existem hoje no mundo é jornalista. E falo isso com toda honestidade do mundo, e sem nenhum rancor ou algo do gênero por esta categoria profissional: sou jornalista.

Antes de explicar o porquê um adendo, importante já nesta altura: o que acho que não tem futuro é o jornalista, não o jornalismo. São duas coisas bem diferentes, ainda que aparentemente entrelaçadas.

Jornalista não tem futuro pois 1) é uma das profissões que mais deveria adaptar-se aos novos tempos, às novas tecnologias 2) não o fez pois jornalista, em sua extrema maioria, se acha gente muito importante, inatingível, sem necessidade de abrir os olhos e ver o que acontece no mundo ao seu redor 3) é uma profissão que perdeu-se em seu próprio universo, em sua própria pequeneza e 4) não existe mais aquele jornalista, digamos, de verdade: aquele que realmente vai atrás de uma notícia – hoje jornalista só espera que a notícia lhe seja entregue.

Jornalista, por essência, deveria ser aquele que transmite informação. Seja repórter, editor, rádio-(ou web-)escuta etc, não importa. Mas o jornalista acha que isso é exclusividade sua – e não é mais. E o jornalista de hoje acha que ele é aquele que trabalha para o jornal, para a revista, para a TV. E aí é que se perdeu: deu mais importância ao veículo do que à sua própria profissão. E agora já é tarde demais para voltar atrás.

Pois hoje não precisamos mais dos jornais, das TVs, do rádio para nos informar. Temos a Internet. Temos blogs, twitter, orkut, o escambau. Ah, mas blogs e afins não tem nenhuma credibilidade!!, dirão alguns. É verdade. E por acaso jornais TVs e revistas a têm? Então eles não defendem seus interesses, não puxam a sardinha para quem e para onde querem? Você realmente acredita que o que está publicado em jornais e revistas, ou o que aparece na TV, é verdade verdadeira verdade nada além da verdade? Não seria a verdade… deles? Nunca, jamais, você leu uma matéria sobre assunto que dominava e viu que coisas ali publicadas estavam erradas ou, ao menos, distorcidas? Neste ponto os blogs e afins tem até mais credibilidade: como na maioria são pequenos, e pessoais, pouco interesse têm em manipular dados e informações.

Jornalista não tem futuro por isso: não precisamos mais de jornalistas para nos informar. Nos informamos onde queremos, onde como quando queremos. Na verdade a profissão de jornalista tem futuro até demais, pois em breve cada um de nós será um jornalista: teremos algo a dizer, algo que alguém quer escutar, saber. Por isso o jornalista dito profissional não tem futuro. Ninguém precisará mais dele.

E não existe mais o jornalista que realmente deu a essência e espírito do que achamos que é o jornalismo hoje, aquele cara que ia atrás da notícia, que a criava, que a descobria, meio James Bond meio Hobin Hood. Jornalista hoje é o bundão que recebe press release por e-mail, corta e cola e publica. E é isso aí. E não adianta querer ser o herói da redação, relembrar os tempos antigos e áureos do jornalismo pois isso simplesmente não existe mais. Não há espaço para isso nas redações de hoje.

Então, em breve, e a coisa já está meio neste caminho, jornais TVs e revistas publicarão apenas as versões oficiais e oficiosas de empresas, parlamentos, entidades etc sobre determinada notícia. E as pessoas se encherão o saco definitivamente de lê-los; eles, numa atitude desesperada, partirão para o que chamam de, ohhh, visão analítica: analisarão as notícias, mesmo porquê nada mais restará ao jornal de hoje, cujas notícias já se sabe desde ontem pela Internet. Eles pensarão que este é o caminho da salvação, mas será o pulo no penhasco. Pois os leitores rapidamente se encherão o saco de ler as análises e opiniões retrógradas, moralistas, radicais ou tendenciosas da maioria dos jornalistas, e os mandarão definitivamente à merda. E passarão a consumir seu próprio jornalismo, o que lhes interessa, e a praticar seu próprio jornalismo.

Enquanto isso acontece, hoje os jornalistas fazem o quê? Ficam perdendo tempo em uma discussão estúpida, infantil e infundada, mas sacramentada justamente em seu próprio umbigo jornalístico: jornalista deve possuir diploma ou não? Não vêem, os jornalistas, que esta discussão foi atropelada pelo trem da história há muito tempo. É absolutamente inútil. Deveriam discutir, isso sim, se jornalista deve continuar a existir, qual o seu papel de fato na sociedade, o que produz de útil. Mas não.

Outro dia a Revista Imprensa, a qual até então respeitava, e muito, trouxe grande manchete na capa: Blogueiro não é Jornalista. Tentativa mais do que desesperada de manter os privilégios e posição social – e jabás – da dita categoria. Mas por incrível que possa parecer concordei 100% com a manchete: de fato, confirmo e sacramento, blogueiro não é jornalista. O que a revista deixou de perceber, e publicar, é que este é justamente o grande azar do jornalista.

jornalismo

ATRAVESSADA IRMÃO ROCHA #2

A principal ferramenta do jornalista é a credibilidade. E o Irmão Rocha, como sempre, já esvaziou os argumentos sobre o processo de deterioração do jornalismo e dos jornalistas.

Por isso é verdade que qualquer um pode exercer o papel (ou profissão, como queiram) de comunicador nos dias de hoje.

A matéria-prima é, como disse, informar com credibilidade. Não estranha, portanto, a migração de jornalistas “das antigas” para blogs, onde têm a liberdade de escrever quanto e o que quiserem sem a obrigação de seguir padrões e linhas editoriais da “grande imprensa”.

Essa é a tendência e quem (qualquer um, não necessariamente jornalistas) se agarrar na credibilidade como ferramenta de trabalho terá certamente leitores, ouvintes e telespectadores.

Por outro lado é cada vez maior o número de jornalistas que se enquadram no estereotipo descrito pelo Irmão Rocha. Redações inteiras usam a técnica copia&cola pra informar o pobre do leitor.

Outro dia ouvi um absurdo de uma jornalista, editora de um dos principais veículos de comunicação do Brasil, que resume muito bem a atual situação do jornalismo.

Questionando sobre a falta de informação básica em seu texto, que sugeria uma interpretação errônea da notícia veio a pérola: “Desculpe, se há uma interpretação errada da notícia a culpa não é minha. Não tenho nada a ver se o leitor interpreta errado meu texto”.

Detalhe (ou pormenor): obviamente ela copiou a notícia de um grande jornal do exterior sem se preocupar em checar se a informação valia para o espaço que ocupa (quer dizer, o País onde escreve, o Brasil). Ah, também publicou uma foto errada de um produto na mesma notícia e se defendeu: “A foto é meramente ilustrativa”.

Ou seja, o jornalismo feito com credibilidade, cuja missão é informar e educar a sociedade está acabando. Em vez disso teremos corporações ditando o tom das notícias, torcendo a informação ao sabor de seus interesses. E os jornalistas, cada vez mais desarticulados e despreparados vão dançar essa música em troca de salários vergonhosos.

Realmente, a profissão de jornalista não tem futuro. E a culpa é de todos nós.

2 Comentários »

  1. Caro irmão Rocha,

    bom seu debate. Agora seus argumentos são rancorosos e provocativos.
    Talvez vc tenha se iluminado demais como tantos que estão na internet e querem polêmica e audiência.
    Jornalista vai continuar a existir, porque é um nome dado a uma profissão e não um desejo único.

    Vc é mais um daqueles que confundiram liberdade de expressão com exercício de profissão.
    Forte abraço
    Jonas, jornalista em Cuiabá (MT)

    Comentário por Jonas da Silva — 17 Julho 2009 @ 30323 pm | Responder

  2. Caro BBR (big brother rocha)
    pelo jeito enxerga direito, como quem vê de fora..
    Eu tb acho, com raras exceções, ” a diferença entre o jornalista e deus, é que deus nao se acha jornalista”. Perder o Olimpo está sendo doloroso para muitos jornalistas. Daqui pra frente, ainda teremos muita coisa apelativa por conta disso. beeeijo, adorei
    marina

    Comentário por Marina Miyazaki Araujo — 6 Outubro 2009 @ 70758 am | Responder


Feed RSS dos comentários deste post URI do TrackBack

Deixe um comentário

Blog no WordPress.com.