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Jornalista, a profissão sem futuro

25 abr

revista-imprensa

IRMÃO ROCHA #1

Creio que uma das profissões mais sem futuro que existem hoje no mundo é jornalista. E falo isso com toda honestidade do mundo, e sem nenhum rancor ou algo do gênero por esta categoria profissional: sou jornalista.

Antes de explicar o porquê um adendo, importante já nesta altura: o que acho que não tem futuro é o jornalista, não o jornalismo. São duas coisas bem diferentes, ainda que aparentemente entrelaçadas.

Jornalista não tem futuro pois 1) é uma das profissões que mais deveria adaptar-se aos novos tempos, às novas tecnologias 2) não o fez pois jornalista, em sua extrema maioria, se acha gente muito importante, inatingível, sem necessidade de abrir os olhos e ver o que acontece no mundo ao seu redor 3) é uma profissão que perdeu-se em seu próprio universo, em sua própria pequeneza e 4) não existe mais aquele jornalista, digamos, de verdade: aquele que realmente vai atrás de uma notícia – hoje jornalista só espera que a notícia lhe seja entregue.

Jornalista, por essência, deveria ser aquele que transmite informação. Seja repórter, editor, rádio-(ou web-)escuta etc, não importa. Mas o jornalista acha que isso é exclusividade sua – e não é mais. E o jornalista de hoje acha que ele é aquele que trabalha para o jornal, para a revista, para a TV. E aí é que se perdeu: deu mais importância ao veículo do que à sua própria profissão. E agora já é tarde demais para voltar atrás.

Pois hoje não precisamos mais dos jornais, das TVs, do rádio para nos informar. Temos a Internet. Temos blogs, twitter, orkut, o escambau. Ah, mas blogs e afins não tem nenhuma credibilidade!!, dirão alguns. É verdade. E por acaso jornais TVs e revistas a têm? Então eles não defendem seus interesses, não puxam a sardinha para quem e para onde querem? Você realmente acredita que o que está publicado em jornais e revistas, ou o que aparece na TV, é verdade verdadeira verdade nada além da verdade? Não seria a verdade… deles? Nunca, jamais, você leu uma matéria sobre assunto que dominava e viu que coisas ali publicadas estavam erradas ou, ao menos, distorcidas? Neste ponto os blogs e afins tem até mais credibilidade: como na maioria são pequenos, e pessoais, pouco interesse têm em manipular dados e informações.

Jornalista não tem futuro por isso: não precisamos mais de jornalistas para nos informar. Nos informamos onde queremos, onde como quando queremos. Na verdade a profissão de jornalista tem futuro até demais, pois em breve cada um de nós será um jornalista: teremos algo a dizer, algo que alguém quer escutar, saber. Por isso o jornalista dito profissional não tem futuro. Ninguém precisará mais dele.

E não existe mais o jornalista que realmente deu a essência e espírito do que achamos que é o jornalismo hoje, aquele cara que ia atrás da notícia, que a criava, que a descobria, meio James Bond meio Hobin Hood. Jornalista hoje é o bundão que recebe press release por e-mail, corta e cola e publica. E é isso aí. E não adianta querer ser o herói da redação, relembrar os tempos antigos e áureos do jornalismo pois isso simplesmente não existe mais. Não há espaço para isso nas redações de hoje.

Então, em breve, e a coisa já está meio neste caminho, jornais TVs e revistas publicarão apenas as versões oficiais e oficiosas de empresas, parlamentos, entidades etc sobre determinada notícia. E as pessoas se encherão o saco definitivamente de lê-los; eles, numa atitude desesperada, partirão para o que chamam de, ohhh, visão analítica: analisarão as notícias, mesmo porquê nada mais restará ao jornal de hoje, cujas notícias já se sabe desde ontem pela Internet. Eles pensarão que este é o caminho da salvação, mas será o pulo no penhasco. Pois os leitores rapidamente se encherão o saco de ler as análises e opiniões retrógradas, moralistas, radicais ou tendenciosas da maioria dos jornalistas, e os mandarão definitivamente à merda. E passarão a consumir seu próprio jornalismo, o que lhes interessa, e a praticar seu próprio jornalismo.

Enquanto isso acontece, hoje os jornalistas fazem o quê? Ficam perdendo tempo em uma discussão estúpida, infantil e infundada, mas sacramentada justamente em seu próprio umbigo jornalístico: jornalista deve possuir diploma ou não? Não vêem, os jornalistas, que esta discussão foi atropelada pelo trem da história há muito tempo. É absolutamente inútil. Deveriam discutir, isso sim, se jornalista deve continuar a existir, qual o seu papel de fato na sociedade, o que produz de útil. Mas não.

Outro dia a Revista Imprensa, a qual até então respeitava, e muito, trouxe grande manchete na capa: Blogueiro não é Jornalista. Tentativa mais do que desesperada de manter os privilégios e posição social – e jabás – da dita categoria. Mas por incrível que possa parecer concordei 100% com a manchete: de fato, confirmo e sacramento, blogueiro não é jornalista. O que a revista deixou de perceber, e publicar, é que este é justamente o grande azar do jornalista.

jornalismo

ATRAVESSADA IRMÃO ROCHA #2

A principal ferramenta do jornalista é a credibilidade. E o Irmão Rocha, como sempre, já esvaziou os argumentos sobre o processo de deterioração do jornalismo e dos jornalistas.

Por isso é verdade que qualquer um pode exercer o papel (ou profissão, como queiram) de comunicador nos dias de hoje.

A matéria-prima é, como disse, informar com credibilidade. Não estranha, portanto, a migração de jornalistas “das antigas” para blogs, onde têm a liberdade de escrever quanto e o que quiserem sem a obrigação de seguir padrões e linhas editoriais da “grande imprensa”.

Essa é a tendência e quem (qualquer um, não necessariamente jornalistas) se agarrar na credibilidade como ferramenta de trabalho terá certamente leitores, ouvintes e telespectadores.

Por outro lado é cada vez maior o número de jornalistas que se enquadram no estereotipo descrito pelo Irmão Rocha. Redações inteiras usam a técnica copia&cola pra informar o pobre do leitor.

Outro dia ouvi um absurdo de uma jornalista, editora de um dos principais veículos de comunicação do Brasil, que resume muito bem a atual situação do jornalismo.

Questionando sobre a falta de informação básica em seu texto, que sugeria uma interpretação errônea da notícia veio a pérola: “Desculpe, se há uma interpretação errada da notícia a culpa não é minha. Não tenho nada a ver se o leitor interpreta errado meu texto”.

Detalhe (ou pormenor): obviamente ela copiou a notícia de um grande jornal do exterior sem se preocupar em checar se a informação valia para o espaço que ocupa (quer dizer, o País onde escreve, o Brasil). Ah, também publicou uma foto errada de um produto na mesma notícia e se defendeu: “A foto é meramente ilustrativa”.

Ou seja, o jornalismo feito com credibilidade, cuja missão é informar e educar a sociedade está acabando. Em vez disso teremos corporações ditando o tom das notícias, torcendo a informação ao sabor de seus interesses. E os jornalistas, cada vez mais desarticulados e despreparados vão dançar essa música em troca de salários vergonhosos.

Realmente, a profissão de jornalista não tem futuro. E a culpa é de todos nós.

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7 Respostas para “Jornalista, a profissão sem futuro

  1. Jonas da Silva

    17 julho 2009 at 30323 pm

    Caro irmão Rocha,

    bom seu debate. Agora seus argumentos são rancorosos e provocativos.
    Talvez vc tenha se iluminado demais como tantos que estão na internet e querem polêmica e audiência.
    Jornalista vai continuar a existir, porque é um nome dado a uma profissão e não um desejo único.

    Vc é mais um daqueles que confundiram liberdade de expressão com exercício de profissão.
    Forte abraço
    Jonas, jornalista em Cuiabá (MT)

     
  2. Marina Miyazaki Araujo

    6 outubro 2009 at 70758 am

    Caro BBR (big brother rocha)
    pelo jeito enxerga direito, como quem vê de fora..
    Eu tb acho, com raras exceções, ” a diferença entre o jornalista e deus, é que deus nao se acha jornalista”. Perder o Olimpo está sendo doloroso para muitos jornalistas. Daqui pra frente, ainda teremos muita coisa apelativa por conta disso. beeeijo, adorei
    marina

     
  3. gabriel

    16 outubro 2009 at 80855 pm

    deixa de ser tonto…
    como vc pode afirmar q o jornalista é um bundão q fica sentado na cadeira do escritório esprando um email com uma noticia. se fosse assim não existiria mais a noticia pois da onde ele vai tirar uma informação para fazer uma reportagem digamos “detalhada” com informação extra.
    isto é simplesmente impossivel pois sem um trabalho de campo vc não consegue extrair a noticia
    e como so micro-blgs podem ter mais credibilidade se o q está contido nele de informação ele tirou da televisão, rádio, e outros meios. Se a pessoa colheu uma informação deturpada ela vai tranmitir esta mesma informação, que nessessáriamente vai também entar deturpada.
    Outra coisa,se um jornalista não se apegar ao veículo de informação como ele vai transmitir o q ele está escrevendo? transferencia por osmose???
    se vc considera-se um pequeno jornalista, você não está tendo muita ética pois vc fala que os meios de comunicação como tv manipulam a informação, mas é exatamente o que você está fazendo: manipulndo uma informação e o pior, que nem deveria existir pois isto é uma baboseira q quanto mais vc argumentava, mais aumentava.
    antes de escrever algo pense um pouco mais para não falar nenhuma besteira que pelo o q eu vi vc faz de monte!!!
    obrigado

     
  4. Maraize Soares

    25 fevereiro 2010 at 101033 pm

    Olá, adorei o seu comentário aliais é uma das coisas que realmente acontece no mundo de hoje, é um fato que esta entre todos nós, quem critica não é porque não ve, é porque finge que esta tudo certinho. Se quando não esta nada bem, nesse área.

    Foi muito importante isso que eu li, e acredito que você foi uma pessoa inteligentissima de fazer esse texto, abriu os olhos de todas as pessoas que querem seguir essa carreira, dizendo a verdade e como realmente funciona esse trabalho !
    não tenho críticas só elogios pra você, .

     
  5. nika

    19 dezembro 2010 at 10142 pm

    enfim concordo plenamente, completo… e quanto as noticias informadas pela tv,sempre repetitivas ao extremo, ficam dias na mesma… isso é noticia? insuportavel hoje assistir a um jornal. sempre a mesma coisa…é um desrespeito com aqueles que acredita na informação, as vezes por inocencia continuam a confiar em certos noticiarios, ou por falta de opção, e pior é capaz de acreditar no que ouvem, como a ex. de uma noticia que ouvi sobre uma bala perdida, atingiu uma criança… 3 versões diferente, isso prova o desinteresse em procurar checar a verdade, sem duvida alguma o jornalismo serio.. aquele em que se acreditava estão com os dias contados, ou melhor, já era… infelismente, tem muita gente que ainda acredita na boa fé,de quem transmite a noticia, POIS É… POBRE DE NÓS!!!!!!!

     
  6. alan brito

    12 janeiro 2011 at 101058 pm

    atualmente a pedagogia é uma profissâo muito bem remunerada

     
  7. Eduardo Simões

    23 janeiro 2014 at 20257 pm

    O problema dos jornalistas no Brasil é o mesmo de outros profissionais: deitaram no berço esplêndido da reserva do mercado de trabalho, e se deixaram ficar. Eu sou professor de História, e só defendi a reserva de mercado da área enquanto fui estudante da Universidade Federal do Ceará e descobri, que o melhor professor de cursinho de minha cidade (Fortaleza) era um aluno de agronomia (ele nem era formado ainda!), e os jovens alunos do cursinho o adoravam, e a mim não. A faculdade me ensinou os conteúdos e a importância de um professor de história, mas não me ensinou a ser um professor de história, isso a gente só aprende com os alunos em sala de aula (hoje o tal agrônomo não é mais páreo para mim), e os jornalistas nas ruas, com suas fontes de pesquisa e leitura, nas redações das empresas jornalísticas e mais ainda se ele se abrir para ouvir os feedbacks de seus leitores, o que na Internet ocorre de maneira muito mais eficaz e imediata. Não creio que a função do jornalista seja mais a de caçar a notícia, conseguir “furos”, exceto em algumas áreas privilegiadas para poucos, como a política, a economia e o showbizz, com mais peso no último, pois não dá para competir com bilhões de celulares espalhados pelo mundo, mostrando o fato quase que ao vivo e à cores, enquanto o jornalista se esforça para encontrar a palavra certa, digna de crédito, para descrever o ele que ficou sabendo. Nós, os leitores, os cidadãos comuns, não precisamos mais de fatos, nós estamos lotados deles, nós precisamos, de um texto limpo, claro, bem escrito, se possível uma obra-prima da literatura, se possível até poética, que nos dê gosto ler não só pela sua forma, mas antes pela ênfase que deu naquilo que realmente importa no fato, porque nós precisamos muito de sentido, de que alguém nos diga exatamente o que significa aquilo que se anuncia, que se desvela, e qual será o seu impacto na sociedade atual e futura. Não queremos futuristas, tampouco que digam o que todos já sabem (a prega do politicamente correto), queremos profetas, mestres, literatos e até poetas, que nos libertem desse jornalismo científico, caduco, a dizer monótona e burramente: “os fatos falam por si”. De tanto descrever fatos os jornalistas desaprenderam a comunicar, a apresentar os fatos com a marca dos grandes escritores, frasistas bem humorados e inteligentes, como os grandes do passado, e por isso as pessoas se afastam cada vez mais da leitura de jornais e as novelas burras são as grandes campeãs de audiência na TV. Não creio, por fim, que a boa vontade de um jornalista diletante seja suficiente para ameaçar o mercado de trabalho de alguém que se formou com seriedade em um curso sério, mas certamente ameaça aquele que tem no Estado e na sua legislação corporativista a garantia de seu trabalho e critério de sua competência, mesmo trabalhando numa empresa privada. Nada substitui o esforço pessoal, o desejo de aprender e a convivência com quem já fez estrada na profissão.

     

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